Uma fratura na coluna pode ser tratada por meio de uma cifoplastia. Esse procedimento começou a ser realizado em 1998 e representou um importante avanço para a restauração da saúde das vértebras de forma rápida e eficaz.
Confira como essa cirurgia é realizada, em que casos é indicada, quais os riscos envolvidos e como é a recuperação.
O que é cifoplastia?
O procedimento conhecido como cifoplastia é uma cirurgia minimamente invasiva que tem o intuito de restaurar uma fratura vertebral. Com ela há alívio da dor, estabilização da articulação e recuperação da função articular. Basicamente nessa intervenção a vértebra fraturada é preenchida com cimento ósseo. Por ser um procedimento minimamente invasivo, não há grandes cortes e os tecidos que envolvem a coluna são melhor preservados, o que facilita a recuperação e reduz riscos, como hemorragias e infecções. O procedimento é realizado por um ortopedista especialista em coluna.
Em que casos é indicado?
Basicamente o procedimento é executado quando há uma fratura em uma das vértebras. Isso ocorre especialmente em pacientes que sofrem de osteoporose, uma doença que deixa os ossos fragilizados e quebradiços.
Mas existem outras condições que podem levar à cirurgia, como desvios vertebrais graves, incluindo cifose e lordose, tumores e lesões graves após quedas e acidentes de carro.
Como é feita a cifoplastia?
A cifoplastia é feita sob anestesia geral ou local, de acordo com cada caso. O médico-cirurgião de coluna utiliza um equipamento de imagem em tempo real para guiar toda a intervenção, garantindo que a cirurgia ocorra na área exata e com poucos riscos para outras regiões da coluna vertebral, como a medula espinhal. Podemos dividir a intervenção em 4 passos:
- Punção do corpo vertebral fraturado: com agulha de punção pedicular é obtido acesso percutâneo a fratura com uma incisão puntiforme, menor que 5 mm.
- Inserção do balão: o especialista irá passar uma agulha e uma cânula (um tipo de tubo fino). Assim, é criado um caminho até o interior do osso fraturado. Depois um pequeno balão é inserido na cavidade por meio desse cano;
- Inflagem do balão: o balão é inflado com muito cuidado, criando um espaço no interior do osso e devolvendo as partes fraturadas à sua posição inicial;
- Retirada do balão: com a cavidade criada e os ossos em seus devidos lugares, o balão é retirado;
- Preenchimento: a cavidade é preenchida com cimento ósseo, para que os ossos permaneçam na posição correta e a coluna ganhe estabilidade.
Toda a intervenção leva em torno de 1 hora, mas este tempo pode variar conforme a gravidade de cada caso.
Quais os exames usados para definir se essa cirurgia é necessária?
A cirurgia só é realizada quando não há outras formas de resolver o problema e reduzir os sintomas. Por isso, o médico especialista em coluna irá avaliar o paciente detalhadamente, considerando o histórico e todas as queixas.
Os exames mais comuns que ajudam a definir a necessidade de uma cirurgia são:
- Exame físico, em que o cirurgião verifica inchaços, nível de mobilidade e em que posições a dor nas costas se torna mais incômoda;
- Exames de imagem como o Raio-x, TAC (Tomografia Axial Computorizada) e MRIs (ressonância magnética);
- Testes de densidade óssea.
Quais os riscos de uma cifoplastia?
A cifoplastia é uma intervenção minimamente invasiva, por isso os riscos envolvidos são muito menores do que em uma cirurgia aberta. Entretanto, é interessante saber que em casos raros podem ocorrer algumas complicações:
- Infecção no ponto de inserção da agulha ou na vértebra: o que exige tratamento com antibióticos ou, em casos extremos, uma nova cirurgia;
- Reação adversa: em raras situações o cimento ósseo pode vazar, atingido a medula espinhal ou a corrente sanguínea, o que desencadeia reações adversas, como irritação nos nervos e embolia pulmonar;
- Lesão neurológica: há um risco mínimo da medula ou raízes nervosas serem atingidas durante o procedimento, o que pode gerar alguns sintomas neurológicos, como fraqueza e dormência;
- Sangramentos: é possível que haja sangramentos no local de inserção da agulha, mas geralmente eles são controlados rapidamente;
- Insucesso no alívio da dor na coluna: nem sempre o procedimento é suficiente para aliviar a dor completamente, sobretudo se houver outros problemas que contribuam para o sintoma.
Qual a diferença entre cifoplastia e vertebroplastia?
As duas técnicas são usadas para o tratamento de fraturas vertebrais e são consideradas minimamente invasivas, entretanto há algumas diferenças. Na cifoplastia é colocado um balão que cria um espaço e ajuda a realinhar os ossos fraturados, o que permite que o cimento ósseo seja inserido sob menor pressão. Dessa forma, é menos provável que ele vaze para além dos ossos vertebrais.
Já a vertebroplastia é um procedimento mais antigo, em que o balão não é utilizado. Assim, o cimento ósseo é injetado sob alta temperatura e pressão, o que aumenta o risco de extravasamento para estruturas vizinhas. Apesar desta ser considerada uma desvantagem, ainda não há consenso entre os especialistas sobre qual técnica é superior.
Como é a recuperação após a cirurgia para corrigir fratura na coluna?
Geralmente os pacientes que passam por uma correção de fratura vertebral recebem alta no mesmo dia. Logo após o procedimento, a pessoa é transferida para uma sala de recuperação, onde fica em observação por pelo menos uma hora.
Ainda no hospital o paciente é encorajado a realizar movimentos simples e a andar, o que ajuda o médico a perceber se o procedimento foi realizado como o esperado.
O alívio da dor é notado logo nas primeiras horas e o sintoma se torna cada vez mais brando com o passar dos dias. Além disso, caso seja necessário, o médico de coluna irá receitar analgésicos.
Já atividades físicas intensas e levantamento de peso não são recomendados nas primeiras 6 semanas. O paciente deve preferir caminhadas leves.
Outro cuidado importante é sempre manter o local da cirurgia limpo e seco e evitar molhá-lo até que a cicatrização esteja completa. Depois, o paciente deve comparecer às consultas de acompanhamento, em que o ortopedista irá verificar a cicatrização e a necessidade de novos exames para analisar o local fraturado.
Por fim, após uma cifoplastia, muitos pacientes são encaminhados ao fisioterapeuta, para a realização de exercícios que ajudem na mobilidade, no fortalecimento dos músculos e na prevenção de novas fraturas.